sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Filme: Aqui é o Meu Lugar (There Must be the Place)


Cheyenne (Sean Penn) é um ex-astro da música cinquentão que, mesmo depois de décadas afastado dos palcos, ainda mantém o visual extravagante. Casado há mais de 35 anos com Jane (Frances McDormand), uma integrante do corpo de bombeiros, ele tenta preencher seus dias de tédio com atividades corriqueiras: acompanha seus investimentos na bolsa, sai com a amiga adolescente Mary (Eve Hewson), vai ao supermercado, pratica um esporte parecido com squash na piscina vazia de sua mansão. Ao receber um telefonema avisando sobre o estado de saúde precário do pai, Cheyenne é obrigado a sair de sua zona de conforto e ir de Dublin a Nova York para reencontrar o progenitor que não via há mais de 30 anos. E é aí que começa sua busca pelo nazista que foi o carrasco de seu pai em Auschwitz e também sua jornada para conhecer a si mesmo.

“Aqui é o meu lugar” é um filme estranho. A sensação de estranhamento já começa com o cartaz do filme, passa pela caracterização do protagonista, que é um misto de Robert Smith (pelo visual) com Ozzy Osbourne (pela dificuldade da fala), e pelas atitudes infantis de Cheyenne (que também faz lembrar um pouco do Edward Mãos de Tesoura, pelo estilo e pela ingenuidade). Atrás de tanto laquê e maquiagem o personagem principal esconde desentendimentos com a família, a culpa por um incidente envolvendo fãs da antiga banda e pelo desaparecimento do irmão da melhor amiga. O visual exótico e as ações inconsistentes do protagonista são ainda mais enfatizados por seu deslocamento nos cenários: uma sombra vagando com seu carrinho por ruas arborizadas e paisagens ensolaradas.

No começo não dá para saber direito qual o foco central da história. Só depois do telefonema é que o filme vira um road movie, quando Cheyenne sai à caça do torturador de seu pai, e os mais inusitados personagens cruzam seu caminho. São situações totalmente surreais, mas que de alguma forma ajudam o protagonista a crescer.

Como curiosidade, vale destacar as músicas, que complementam as cenas perfeitamente; a participação de David Byrne (do Talking Heads - aliás o título original do filme é o nome de uma música da banda), como um dos compositores da trilha sonora e também em uma aparição como ele mesmo; e a presença da filha do Bono Vox como Mary, a melhor amiga de Cheyenne. Ah, sim... Sean Penn dá um show, como sempre.

Apesar de ser classificado como comédia dramática, não achei o filme engraçado (nem esperava isso). Tirando uma ou outra situação divertida, como a cena em que Cheyenne dá dicas de maquiagem a um bando de mulheres dentro de um elevador, o restante me pareceu bem melancólico. Eu diria que é um drama apenas.

Indico para pessoas pacientes, fãs que gostam de acompanhar a carreira de Sean Penn e para aqueles que não se incomodam com excentricidades.

2 comentários:

Raíssa disse...

Hmm, sempre que via o pôster desse filme, achava que fosse alguma coisa bizarrona mesmo, um filme meio surreal, hahah! A caracterização dele tá bem Robert Smith mesmo (<3)! Não é um filme que me chamou tanta a aten~ção assim de cara, mas deve ser interessante assistir. :)

bjs!

Por que você faz poema? disse...

Minha maior decepção cinematográfica do ano, até agora.