segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Filme: Ao Mestre, Com Carinho (To Sir, With Love)


Em homenagem ao Dia do Professor, eu havia pensado em fazer um TOP 5 de filmes do tema, mas percebi que nunca tinha assistido ao clássico dos clássicos: “Ao mestre, com carinho”. Tratei então de corrigir minha falha e fui conferir a história de Mark Thackeray, engenheiro desempregado que decide aceitar o emprego temporário de professor para pagar as contas. Os inevitáveis embates com alunos rebeldes e desordeiros aos poucos dão lugar a uma transformação, tanto dos alunos quanto do professor.





“Ao mestre, com carinho” foi o filme que estabeleceu os padrões para o gênero “professor sonhador enfrenta todo tipo de dificuldade para domar alunos indisciplinados e transforma vidas". Além disso, ainda catapultou a carreira de Sidney Poitier, que encarnou o papel do professor negro e de origem pobre que, ao chegar à nova escola para assumir o cargo, tem que encarar não apenas o desrespeito dos alunos, mas também o descrédito dos demais professores e preconceitos raciais.


Numa das primeiras cenas do filme, ao apresentar-se ao professor Weston, este já lança um “Você é o novo cordeiro do abatedouro? Ou deveria dizer ovelha negra?”, e, mais adiante, o mesmo professor ainda pergunta se Thackeray pretendia usar vudu para controlar os alunos endiabrados. Diante desses exemplos claros do preconceito racial sofrido por Thackery, pergunto-me se, em tempos de exageros do politicamente correto, um filme ousaria apresentar o preconceito dessa forma ou se evitariam tocar no assunto.


Outra coisa que chama a atenção no filme é a rebeldia bem comportada dos alunos. Acostumados que estamos com a violência extrema nas escolas, em que alunos levam armas para a sala de aula e atacam colegas e professores, em que alunos se divertem espancando outros alunos e filmando a barbárie para postar em redes sociais e em que os próprios professores de educação infantil às vezes batem em bebês e crianças, a forma de contravenção usada pelos alunos do filme pode ser considera ingênua: eles expressavam o descontentamento em seu vestuário e colocavam música em alto volume no corredor da escola para dançar.


No entanto, ao que tudo indica, os aspectos violentos da trama, baseada na semibiografia do professor E. R. Braithwaite, tiveram de ser amenizados na tela para que o filme fosse liberado. Mas isso gerou comportamentos sem sentido, a meu ver. Os alunos vinham de lares pobres e violentos, sofriam pressão dos pais para ajudar nas despesas e tarefas domésticas... e se rebelam dançando no corredor e jogando bolinhas de papel em sala de aula? Uma reação bem infantil para quem se julga tão adulto e revoltado, não?


Enfim... independente disso, o filme é muito bom sim, Sidney Poitier é o carisma em pessoa e a música-tema é uma delícia. A mensagem enobrecedora de que se deve dar o exemplo e preparar os alunos para a vida, não apenas para passar de ano, pode parecer batida, mas é mais atual e necessária do que nunca.


E parabéns a todos os professores!

4 comentários:

livroseoutrasfelicidades disse...

É um pouco piegas nos dias atuais, mas um bonito filme, não?

Michelle disse...

É meio piegas e inocente demais, porém isso não o torna ruim.
bjo

Raíssa disse...

Puxa, acho que vi uns pedaços desse filme fas teempo. Preciso rever e assistir na íntegra.

Realmente, a parte da revolta dos jovens ficou meio sem sentido, mas também, fico imaginando se adaptassem o filme hoje, se ia ser algo muito diferente... Apesar de já ter mais abertura pra cenas violentas, tá uma onda de filme bonzinho que eu vou te falar, viu?

Mas apesar disso, este filme passa uma bonita mensagem, acho que o importante é isso, né? Já viu o filme indiano Black, de um professor que ensina uma garota surda, muda e cega? Bem bacana tbm!

bjs bjs!

Michelle disse...

Raíssa,
O politicamente correto às vezes extrapola. Não conhecia esse filme. Mais um para a lista. Tks pela dica =)