segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Livro Viajante: Os 13 Porquês (Jay Asher)


“Olá, meninos e meninas. Quem fala aqui é Hannah Baker. Ao vivo e em estéreo. Sem promessa de retorno. Sem bis. E, desta vez, sem atender aos pedidos da plateia. Espero que vocês estejam prontos, porque vou contar aqui a história da minha vida. Mais especificamente, por que ela chegou ao fim. E, se estiver escutando estas fitas, você é um dos motivos".

Assim começa o lado A de 13 fitas cassetes que eram entregues às pessoas que, de acordo com Hannah, colaboraram de alguma forma para o seu suicídio. Uma dessas pessoas é Clay Jensen, o personagem que divide a narração do livro com Hannah. Conforme ouve as fitas e tenta entender o que levou Hannah a se matar, Clay vaga pela cidade, visitando os pontos indicados no mapa especialmente preparado pela garota. Sua história é intercalada pela história contada na fita e podemos distinguir uma da outra pela tipologia. Além de tentar descobrir o que de fato aconteceu, ele também se pergunta o que ele teria feito a Hannah para que ela o considerasse ‘culpado’.

Hannah era uma garota nova na cidade e estava tentando se adaptar. Nas fitas, ela conta que tudo começou a dar errado por causa de rumores gerados por seu primeiro beijo. O que era para ser um momento mágico e inesquecível, foi apenas o início da bola de neve de mentiras, enganos, fofocas, crimes ou simples omissões que culminaram no trágico desfecho.

Quando li a sinopse, imaginei uma história cheia de suspense e vingança, daquelas dignas de filme de terror. O toque retrô por conta das fitas K-7 foi outro ponto de interesse. No entanto, conforme fui avançando na leitura, percebi que não era bem isso. O foco é realmente o suicídio e o que levou Hannah a tomar essa decisão. Como se sabe, a adolescência é um período conturbado, cheio de mudanças e insegurança, no qual as pessoas fazem o que for preciso para serem aceitas. Hannah não é diferente. Vinda de outra cidade, ela não conhecia os lugares nem as pessoas. E, quando não se sabe nada sobre alguém, o que se ouve dizer sobre tal pessoa é muito importante. Por isso, a má reputação injusta que Hannah ganhou fez com que ela fosse alvo constante de zombaria e ataques. Ela poderia ter ignorado ou enfrentado, mas, no fim, escolheu sair de cena. Por que?

Isso não dá para responder, já que o suicídio é algo muito difícil de compreender. Para quem está de fora, é visto como um exagero inexplicável. Para quem está sofrendo, é considerado a única saída.

O livro é muito feliz ao abordar esse tema espinhoso usando um formato interessante (as tais fitas e a história contada por dois narradores ao mesmo tempo). Já quanto às motivações de Hannah... não me convenceram. Como eu disse, é difícil julgar o que leva alguém a tomar uma atitude dessas, mas, a meu ver, Hannah cavou a própria sepultura com certas ações. Pensem comigo: ela já não tinha uma boa reputação e havia sido traída por pessoas que considerava amigas. Em vez de se afastar e não se colocar em uma posição de vulnerabilidade, ela bota mais lenha na fogueira. Ao perceber que tem alguém do lado de fora do seu quarto tirando fotos em um fim de semana em que está sozinha em casa, ela faz o que? Fecha a janela? Chama a polícia? Muda de quarto? Nããããão... Ela conta a história para uma garota com quem mal falava e a chama para ir à sua casa a fim de pegar o tarado no flagra. Oi?! Quem em sã consciência faria isso? E, como se isso não bastasse, ainda provoca o voyeur com joguinhos eróticos! Sério? Que vontade de bater na menina! Há um limite muito tênue entre ingenuidade e burrice, e Hannah cruzou esse limite quando decidiu dar uma de heroína e capturar o intruso. A partir daí, foi uma burrada atrás da outra (embora também houvesse circunstâncias graves em que ela se viu involuntariamente envolvida). E, obviamente, depois desse episódio deixei de me compadecer da garota e passei a detestá-la.

Enfim... o livro é bem escrito e ótimo para levantar debates sobre questões como bullying, vaidade, privacidade e suicídio. Nas páginas finais ainda consta uma pequena entrevista com o autor, algumas inspirações usadas para criar o livro e endereços e telefones úteis para atendimento e orientação em caso de suspeita de intenção suicida.


Mais uma leitura proporcionada pelo Livro Viajante do Skoob.

7 comentários:

Raíssa disse...

Nossa, me interessei bastante em ler o livro primeiro pela citação do começo do seu post, mas realmente dá muita raiva destas protagonistas que são tão sem noção... ¬¬ Deve ser bacana a forma como ele aborda a questão do suicídio, mas é difícil de aceitar quando as ações do próprio protagonista só nos remetem a exagero, né?

Ainda assim fiquei com vontade de ler. :)

bjs!

Roberta Ferreira disse...

o.O de início, adorei essa capa - perfeita!
a história é muito interessante, vou me arriscar e colocar na minha lista, adorei a resenha

http://www.episodiodehoje.com

livroseoutrasfelicidades disse...

Oi, Mi!
Já tinha lido o livro e gostado. Eu, como adulta, também me irritei com certas atitudes da Hannah. Porém, acho que é por que somos "crescidas" e conseguimos prever melhor as consequencias de nossas ações. Ela era só uma adolescente, tentando acertar. Naquela idade, muitas vezes optamos mesmo por comportamentos que não são bons para nós, mas que ainda não temos a maturidade de perceber. Por isso, eu dei uma chance para a coitada.

Michelle disse...

Raíssa,
A história em si é boa, mas algumas atitudes da protagonista realmente me irritaram.

Roberta,
A capa é bem atraente. Não dá para ignorar. Leia sim. Vale como experiência.

Júlia,
Será que não teria me irritado com a Hannah se tivesse lido o livro na adolescência? Talvez... mas o fato é que nem se eu tivesse 15 anos ia tentar resolver as coisas sozinha, bancando a superpoderosa. Para mim, parece coisa de quem assiste TV demais e acha que a vida é um filme.

bjo

Gabriela Orlandin disse...

Oi!
Apesar de você dizer que a história é boa, eu achei que o livro todo fosse melhor. Também tinha ficado bem interessada por se tratar de uma história retrô, com fitas K7, e achei sim que a história fosse revelar mais dos propósitos da menina. Pena que ela seja tão cabeça dura e meio idiota às vezes. Mesmo assim, tenho curiosidade em ler, porque esse é um assunto que me deixa muito curiosa. É mesmo estranho tentar imaginar o que leva uma pessoa a cometer esse ato.
Beijão!

Michelle disse...

Gabi,
No livro ela falha um a um os motivos que levaram ao suicídio e gostei de como o tema foi apresentado. Meu único problema foi com umas atitudes sem sentido (pelo menos para mim).
bjo

Luciana Curvello disse...

Olá,
Parece ser um livro muito legal. Quero ler!
Gostei bastante da resenha.
Estou te seguindo e espero sua visita.
http://vergostarler.blogspot.com.br/
Bjos
Lu