quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Livro Viajante: A Menina que Não Sabia Ler (John Harding)


Nova Inglaterra, 1891. Na mansão Blithe House viviam Florence, de 12 anos, e seu irmão Giles, de 9 anos, órfãos cuja tutela foi assumida pelo tio que nunca viram e que mantém seu anonimato morando a quilômetros de distância, em Nova York. Relegados aos cuidados dos empregados, Florence e Giles passavam os dias brincando e explorando a velha mansão, até que a chegada da Srta. Whitaker, preceptora de Giles, muda a rotina da casa e dá início a uma série de incidentes estranhos.

Florence e Giles, apesar de jovens, têm um histórico triste: a mãe da garota morreu no parto e seu pai casou-se novamente, com a mãe de Giles; ambos morreram em um acidente de barco. Com a morte precoce dos pais, Florence sente-se responsável pelo irmão, que tem uma saúde frágil. Ela torna-se sua protetora e tenta a todo custo preservar sua inocência. A morte da Srta. Whitaker em circunstâncias misteriosas faz com que os irmãos inseparáveis comecem a trilhar caminhos distintos: enquanto ele é enviado ao internato para estudar, Florence é proibida pelo tio de receber qualquer instrução, já que para ele mulheres estudadas demais causavam problemas.

Munida de muita força de vontade e dedicação, Florence aprende a ler sozinha e descobre um mundo novo na abandonada biblioteca da mansão. Começa, então, a armar vários esquemas para conseguir ler sem ser pega em flagrante. Com a ausência do irmão, Shakespeare e Edgar Allan Poe tornam-se seus melhores amigos. É na companhia de grandes autores que ela passa os dias, inventa palavras e decide ser escritora.

Com Giles no colégio, Florence fica muito preocupada, pois já havia escutado rumores de comportamentos nada amigáveis entre garotos. Começa a ter pesadelos com uma mulher de vestido preto, que todas as noites adentrava o quarto de Giles e se debruçava sobre sua cama. A volta de Giles do internato em vez de acalmar Florence a deixa ainda mais temerosa, já que logo após seu retorno chega também à propriedade a esquelética e agourenta preceptora substituta, a Srta. Taylor.

Com uma trama de suspense cheia de toques sobrenaturais, “A menina que não sabia ler” consegue prender a atenção e, em certos momentos, me lembrou a trama de “A outra volta do parafuso”, com fantasmas, preceptoras e inocência perdida, só que tendo Florence como a protagonista que tenta manter a maldade longe.

Uma leitura fluida e despretensiosa proporcionada pelo grupo do Livro Viajante do Skoob.

"Assim, eu percorria solitariamente a casa imensa, abrindo as portas e perturbando a poeira dos quartos vazios. Às vezes, deitava-me em uma cama e imaginava que era a pessoa que havia perambulado por ali. Enchia a casa com seus fantasmas, imaginando famílias inteiras e, quando ouvia sons não identificados no sótão, não admitia a ideia de ratos, mas via uma menina, como eu devia ter sido um dia, que imaginava de vestido branco, com o rosto pálido para combinar, rodopiando levemente pelas tábuas nuas".



Mais uma leitura proporcionada pelo Livro Viajante do Skoob


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Aproveitando para divulgar minha indicação de série lá no Equalize: Copper. Já viram? Um prato cheio para quem gosta de séries policiais e de época. Confiram!

6 comentários:

livroseoutrasfelicidades disse...

Este livro é incrível!Principalmente pela dúvida do que é real, do que é imaginado, quem é bom, quem é mau...

Angélica Roz disse...

Oi Michelle!

Adorei a sua resenha! Você deixou bastante mistério no ar. :)

Antes de eu ler esse livro, vi um monte de críticas negativas. Então comecei a leitura com um pouco de medo.

Mas acabei me surpreendendo! Gostei bastante da leitura!

Que garota danada hein?
hehe

Beijos!!

Gabriela Orlandin disse...

Adorei esse livro. Teve quem não gostou do final do livro, mas eu gostei de tudo. Achei que esse mistério do livro foi muito bem trabalhado e foi muito agradável de ler porque a protagonista é uma leitora voraz. E eu queria muito conhecer a biblioteca dela *-*
Beijos.

Michelle disse...

Júlia,
Depois de um filme que mistura real e imaginação, eu leio um livro que deixa a mesma dúvida. Muito bacana!

Angélica,
Acho que a maior parte das críticas vem de pessoas que estão acostumadas com finais certinhos e previsíveis. Eu acho que o grande trunfo é o inesperado.

Gabi,
Como eu disse acima, gostei muito, principalmente do final. Ah... eu também queria conhecer a biblioteca da Florence!

Yago Campos disse...

Oi, Gabi. Gostei da sua resenha. Eu concordo com a Michelle, a maior parte das críticas são dessas pessoas que esperam um final certinho. Eu consegui desvendar todos os mistérios do livro (menos o fato da srat. Taylor não comer, talvez fosse para emagrecer e mudar a aparência dela). Porque, como o PsychoBooks escreveu sobre esse livro, nenhuma vírgula nem palavra foi escrita em vão. Ele é brilhante. Adorei o final, pessoas que não gostaram dele, realmente, não sabem avaliar este, e talvez nenhum outro livro. "A Menina que Não Sabia Ler" é o meu livro favorito.

juliano cesar de oliveira disse...


Oi adorei.. muito obrigado, depois de ter lido sua resenha...me interessei pelo livro....mas vc já leu o livro reverso ... se trata de um livro arrebatador...ele coloca em cheque os maiores dogmas religiosos de todos os tempos.....e ainda inverte de forma brutal as teorias cientificas usando dilemas fantásticos; Além de revelar verdades sobre Jesus jamais mencionados na história.....acesse o link ..
www.buqui.com.br/ebook/reverso-604408.html