segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Resenha: Ouro


Kate e Zoe fazem parte do seleto grupo de ciclismo de elite e se conhecem desde os 19 anos. Ambas têm um passado sofrido e viram no esporte uma chance de deixar todas as dificuldades para trás. Embora tenham personalidades completamente opostas, o destino as uniu dentro e fora das pistas, onde assumem os papéis de maiores rivais e melhores amigas, respectivamente. Mais de uma década depois do primeiro encontro, elas estão às vésperas das Olimpíadas de Londres, a última corrida de suas vidas, e o resultado da disputa pode pôr um fim não apenas em suas carreiras, mas também no delicado relacionamento que cultivam há anos.

“Assim que descia da bicicleta, seu coração era tomado pela necessidade de cumprir todas essas funções secundárias desconcertantes – como amar alguém, sentir algo, pertencer a algum lugar – quando só era treinado para bombear sangue”.

Todo mundo que visita o blog há um tempinho deve saber que “Pequena Abelha” é um dos meus livros favoritos e o quanto eu demorei e sofri para fazer uma resenha que despertasse o interesse das pessoas sem falar demais sobre a história, seguindo à risca a recomendação contida na contracapa do livro. Pois bem, aqui estou eu novamente, lutando contra a árdua tarefa resenhar outro livro do Chris Cleave, tentando exprimir o quanto a história me cativou, mas sem estragar a surpresa dos leitores.

O pouco da trama que contei no parágrafo inicial é apresentado na orelha do livro, então não, não dei spoiler de nada. Como a própria sinopse informa, "Ouro” é uma história sobre os limites físicos e emocionais das pessoas, sobre perdas e ganhos, sobre as escolhas que fazemos, sobre o sucesso aos olhos do outros e sobre pequenas vitórias pessoais.

O que tenho a dizer é que, se eu nunca tivesse lido nada do Chris Cleave, provavelmente passaria batido por “Ouro” nas prateleiras da livraria. Uma capa simples, uma sinopse que não diz muita coisa e uma trama sobre... ciclismo? Não, obrigada! Felizmente, o contato prévio com o trabalho do autor e a ótima experiência que tive me fizeram desejar ler este lançamento assim que sua publicação foi divulgada. Nas histórias de Cleave, o que conta é como você se sente durante a leitura, não o estilo literário revolucionário ou a trama absurdamente inovadora.

Na verdade, a história é bem banal. E é justamente esse o trunfo. Se eliminássemos os bastidores do ciclismo como cenário e realocássemos a trama para qualquer outro lugar (um escritório, uma universidade, um asilo), ainda assim funcionaria perfeitamente, pois o combustível da história é natureza humana, com tudo de melhor e de pior que isso significa.

Enfim... já que não posso falar muito sobre a história em si, vou falar sobre outras características que tornam o livro delicioso: referência nerd a Star Wars (mesmo eu não sendo fã da série, gostei muito de como esse universo foi usado na história – indo muito além de uma mera citação cool) e trilha sonora sugerida (a música é muito importante nas cenas construídas pelo autor). Vou até deixar a playlist AQUI para quem quiser entrar no clima.

Ainda na dúvida se deve ler ou não o livro? Vou apresentar mais um ponto positivo: a narrativa divertida, que contrabalanceia perfeitamente os momentos angustiantes da história – e eles são intensos, viu? Só imagens surreais evocadas por frases do tipo “A incongruência era chocante, como levar um soco na cara de um Ursinho Carinhoso” aliviam a tensão nessas horas.

Em suma, com “Ouro” o autor conseguiu novamente me deixar envolvida na história de seus personagens, me fez torcer por eles, vibrar por suas conquistas, sofrer com as derrotas; com a mesma facilidade, fez meus olhos encherem de lágrimas e meus lábios se moverem involuntariamente num sorriso. É preciso ser muito talentoso para transformar algo trivial em excepcional. E Chris Cleave já fez isso duas vezes. Quer dizer, eu já comprovei essa sua habilidade duas vezes, pois o autor tem três livros publicados. Espero poder, em breve, ler "Incendiário", a única de suas obras que ainda não tive o prazer de conhecer.

Uma história que emociona por sua simplicidade. Leia o quanto antes!


“Era isso que tinham aprendido, depois de todas aquelas corridas: as voltas mais difíceis são aquelas que você dá depois que a multidão foi embora”.


Este livro foi lido como parte da parceira com a Intrínseca.

10 comentários:

Patrícia Di Carlo disse...

Mi, li até o ponto em que vc diz que a história lhe cativou... pq ainda não li Pequena Abelha e já estou esse engatilhado no kobo... rs E se vc gostou, pra mim já é certo me jogar neles! ;o)

Xerinhos, lindeza!
Paty

Aline Netto disse...

Ótimo blog!

Bjs
Aline
http://www.devaneiosdemadrugada.com.br/

schrotz disse...

Eu queria esse livro. Eu vi ele na livraria e resolvi deixar pra lá pra não gastar mais. Tô meio arrependida. Espero que eu tenha uma outra oportunidade em breve. Amei a sua resenha!
literallypitseleh.blogspot.com.br

Sarah disse...

Bom, sou suspeita pra comentar porque tb AMEI Pequena Abelha e, desde então, virei fã deste autor. Realmente vc disse tudo em "Nas histórias de Cleave, o que conta é como você se sente durante a leitura". É bem isso mesmo.
Ri algo aqui com a frase dos Ursinhos Carinhosos, hahahha!! E mentira que tem até trilha sonora?!! Com uma playlist bem eclética hein, ressalte-se...
Ansiosa pra ler tb!
bjos

livroseoutrasfelicidades disse...

"Ouro" ou "pequena abelha"? Qual é melhor?

Maura C. Parvatis disse...

Michelle, se eu não soubesse o quão excelente é a escrita do Chris nunca daria bola pra Ouro e sua capa que não chama a atenção, quando vi a edição gringa na livraria fiquei interessada e quando soube que a Intrínseca o traria, fiquei super animadona!
Agora é esperar achar na biblioteca, ou comprar numa promoção... Acho que vou gostar bastante, Pequena Abelha também está na minha lista de preferidos ;')

Melissa Padilha disse...

Oi Michelle!
Ainda não li nada do Chris Cleave, mas assim como na sua resenha já ouvi muitos elogios principalmente ao livro Pequena Abelha, estou com o ebook dele há tempos já mas, ainda não li acredito que depois de tantos elogios passe ele na frente de alguns !
Excelente resenha!
bjos
Melissa

Ilmaralina disse...

Gostei muito de sua resenha e tenho aqui em casa o "Pequena Abelha", mas ainda não tive tempo para ler. Já li e ouvi só comentários bons a respeito e Pequena Abelha está na minha interminável de leituras a fazer. Um abração!

Ilmara

Michelle disse...

Paty,
Bom saber que você gosta das minhas indicações. Depois quero saber o que você achou, tá?

Aline,
Obrigada ;)

Schrotz,
O livro acabou de ser lançado, então oportunidades para lê-lo não vão faltar!

Sarah,
Não é que o autor tenha feito uma listinha, mas a música é muito importante na trama. Reflete o que se passa com os personagens em determinadas situações. Às vezes, eles escolham a trilha, outras, é música ambiente que se encaixa perfeitamente na cena. Pode separar os lencinhos.

Julia,
Pequena Abelha tem um lugar especial no meu coração, pois foi o livro que me apresentou o estilo do autor e me cativou. Mas Ouro é igualmente encantador.

Maura,
Não é? Acho que muita gente deixará de conhecer uma história incrível por não conhecer o trabalho do autor ou por não prestar muita atenção à capa. Uma pena.

Melissa,
Vale a pena furar a fila com Pequena Abelha, viu?

Ilmara,
Repito o que eu disse para a Melissa: fure a fila com Pequena Abelha ;)

T. Costa disse...

Eu conhecia vagamente a fama do autor por causa do Pequena Abelha (que eu não li mas tá na lista de compras há um tempão)... e quando vi essa capa o que me chamou atenção foi saber qual era o escritor. Como tu disse, a capa em si, a sinopse não parecem chamar tanto a atenção assim mas eu fiquei realmente interessada quando tu disse que a escrita dele é descontraída em alguns pontos e tem aquelas tiradas leves, eu adoro isso e adoro também uma história que tem seus momentos tensos e profundos e esse livro parece ter :)