segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Leia o Livro, Veja o Filme: Fahrenheit 451

LIVRO: Fahrenheit 451

Em um futuro indeterminado e não muito distante, os livros foram considerados instrumentos perigosos e condenados à extinção. Os encarregados de eliminá-los são os bombeiros, que tiveram suas origens de salvamento e combate ao fogo totalmente apagadas da memória das pessoas. Guy Montag é um desses incendiários profissionais de livros e tem muito orgulho de sua profissão. No entanto, um dia ele conversa com sua vizinha, Clarisse McClellan, uma adolescente “estranha” e questionadora, e um incômodo incessante começa a crescer dentro dele. Será que a garota sonhadora tem razão em suas maluquices e que as pessoas estão vivendo uma mentira?

O mote de “Fahrenheit 451” é bem conhecido e eu já falei da história aqui no blog anteriormente, numa postagem sobre a graphic novel de mesmo nome. Mesmo depois de ler a excelente versão em quadrinhos, continuei com vontade de conhecer a obra original. Eis que neste mês o tema do Desafio Literário Skoob é ‘ficção científica’ e achei o momento ideal para mergulhar no universo distópico e muito palpável de Ray Bradbury.

O que pude perceber é que, de fato, a graphic novel é uma adaptação bem fiel e completa. Não há nada essencial no texto de Bradbury que tenha sido deixado de fora. Por outro lado, foi um alívio perceber a escrita simples do autor, o que tornou a leitura fluida e empolgante. Eu tenho receio de ler ficção científica e ficar boiando. Já aconteceu algumas vezes, até mesmo quando encarei "Admirável Mundo Novo", que se tornou um dos meus preferidos, mas exigiu muito empenho e paciência da minha parte. Como eu disse, felizmente esse não foi o caso de "Fahrenheit".

E continuo achando incrível e preocupante que as previsões de Bradbury se mostrem cada vez mais verdadeiras. Ilusão de felicidade constante, busca de emoções rápidas e extremas, isolamento, emburrecimento voluntário, perda do senso crítico... sim, tudo isso é triste e real. E, ao que tudo indica, a tendência é só piorar.

“Clássicos reduzidos para se adaptarem a programas de rádio de quinze minutos, depois reduzidos novamente para uma coluna de livro de dois minutos de leitura e, por fim, encerrando-se num dicionário, num verbete de dez a doze linhas (...).
A escolaridade é abreviada, a disciplina relaxada, as filosofias, as histórias e as línguas são abolidas, gramática e ortografia pouco a pouco negligenciadas, e, por fim, quase totalmente ignoradas. A vida é imediata, o emprego é o que conta, o prazer está em toda parte depois do trabalho. Por que aprender alguma coisa além de apertar botões, acionar interruptores, ajustar parafusos e porcas?"

Mais um para minha lista de favoritos. Imperdível.

Este post faz parte do Desafio Literário Skoob 2014 - Mês de Outubro: Ficção Científica. Para ver a lista de obras selecionadas e outros posts do DLSkoob2014, clique AQUI. 



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FILME: Fahrenheit 451

Assim como mantive a curiosidade para ler o livro original, também resisti a assistir ao filme antes de lê-lo. Na aclamada adaptação de Truffaut, com participação do próprio Bradbury no roteiro, Clarisse deixa de ser uma adolescente e agora é uma professora temporária às voltas com testes para sua efetivação. No entanto, o mesmo espírito livre e inquieto da garota do livro ainda vive na aspirante a docente, o que acaba sendo um grande empecilho em sua carreira.


Com exceção dessa mudança significativa e da ausência de Faber, companheiro de Montag na revolução pretendida, em geral o diretor se mantém fiel ao livro. Inegável, porém, é o visual dos anos 60, com suas cores berrantes e tecnologia datada. É estranho perceber como as limitações de uma época afetam a forma de contar uma história. Na minha cabeça, as casas teriam uma decoração mais minimalista, com as tais telas em todas as paredes da sala, como descrito no livro. No entanto, a ambientação é bem típica do período de produção do filme, com a tela interativa se resumindo ao que hoje parece ser nossas TVs de LCD.


Mesmo assim, há momentos de engenhosa criatividade, como quando os bombeiros fazem uma demonstração de onde as pessoas costumavam esconder livros, e ainda uma cena muito bacana, criada especialmente para o filme, em que o chefe dos bombeiros encontra uma biblioteca, escondida em uma passagem secreta na casa de uma das denunciadas, e começa a citar trechos de clássicos da literatura e zombar dos conflitos de ideias entre os grandes pensadores.

Embora não seja uma adaptação 100% fiel, é um bom filme. Recomendo.

Trailer Legendado:

5 comentários:

Lígia disse...

Gosto muito do livro, já do filme não gostei muito, mas não sei exatamente por quê.

Marta Pinto disse...

A julgar por sua resenha você gostou bem mais do 451 do que eu.
Foi, também, a minha escolha para o DL deste mês.

Claudia Leonardi disse...

Claro que eu fiquei super curiosa, ne?!
Adoro tanto esta sua coluna do blog, que me inspirou na postagem de hoje!
Linkei vc.
Bjks mil

www.blogdaclauo.com

Aline Aimée disse...

Gosto bastante do filme!
Quanto ao livro, acho o plot maravilhoso, mas, ao contrário de você, achei o livro praticamente desprovido de estilo. A história é ótima, você avança ansioso, mas não consigo ver uma identidade na escrita, entende? O texto me pareceu como um roteiro. Mas acho que é só uma questão de gosto mesmo.

Beijinhos!

silencereports disse...

Oi, Mi, tudo bem?
Amo literatura distópica! Por isso, nem preciso dizer que adoro Fahrenheit 451, né?
Para falar a verdade, não me lembro como o livro afortunadamente caiu em minhas mãos. Devorei-o rapidamente, sem deixar de aproveitar cada linha. Em seguida, curiosa, procurei o filme. Gostei bastante, e concordo contigo. As cores sessentistas estão muito carregadas e isso me incomodou um pouco, porque meio que datou a obra, na minha visão.
É isso. Estava com saudades do seu blog. Vou tentar visitá-la mais vezes rs.
Beijão!